ABALOS SÍSMICOS NO CEARÁ
Texto: Francisco Dias Lima
Na
última madrugada dia 05 de junho de 2018 às 03 horas e 22 minutos da madrugada
sensores do laboratório de sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte(LabSis-UFRN) e do laboratório de
sismologia da Universidade de Brasília(ObSis-UNB)
registam movimentos geológicos na região, o abalo foi pequeno não sendo
percebido pela população, mas vem à tona uma situação que virou comum no Ceará,
os abalos sísmicos.
Desde
o início do século passado as documentações destes eventos vêm aumentando,
fruto das constantes atividades sísmicas registradas por sensores instalados em
pontos estratégicos do estado. As análises destes estudos vêm mostrando um
conjunto de falhas espalhadas pelo estado, variando em tamanho e nível de
atividade.
Embora
estejamos sobre o centro da placa tectônica sul-americana não estamos imunes a
eventos sísmicos ao contrário do que muitos pensam, a pressão estabelecida nas
bordas da placa onde estamos localizados (sul-americana) ocasiona vários
eventos no interior da placa que tem em sua formação vários tipos de rochas e
solos moldados pelo intemperismo químico, físico e biológico além de contar com
inúmeras. Contando com várias falhas e fossas geológicas moldadas com o tempo e
que em alguns períodos revela picos de atividade e em outros diminuem os
tremores aqui sentidos são frutos da rupturas das rochas no interior da terra
que causa uma onda de choque que se propaga de forma longitudinal ou
transversal.
Nesse
cenário nas últimas décadas temos vistos uma frequência maior de tremores,
fruto da maior atividade de um conjunto de falhar estratégicas assim como a
quantidade populacional ao entorno dos eventos. Vale destacar que o tão
conhecido “terremoto” de Pacajus que teve a intensidade de 5,2 na Escala Richter é o mais conhecido do
Ceará e afetou um grande contingente populacional presentes na região que nesse
período já era densamente povoada. Geralmente a percepção populacional dos
tremores acontece nessas áreas mais densamente povoadas uma vez que a
probabilidade de causar danos é bem maior em virtude das estruturas físicas usadas
no dia a dia da população, além de estarem ligadas ao mundo globalizado
difundindo assim informações e depoimentos das pessoas que sentiram o evento.
O
famoso terremoto de Pacajus ocorreu no dia 20 de novembro de 1980 na localidade
de Brito, pertencente ao município de Cascavel porem o evento sísmico é
conhecido como terremoto de Pacajus em virtude de os efeitos do abalo ter sido
sentido mais nesse município, na verdade a região de maior dano foi o atual
município de Chorozinho porém naquele período pertencia ao município de Pacajus
só vindo se emancipar sete anos depois.
Entrada do município de Chorozinho, 2018. Foto prefeitura
municipal de Chorozinho.
Esse
tremor é considerado o maior da Norte/Nordeste, segundo de informações de Francisco
Brandão, chefe do núcleo de sismologia da Coordenadoria Estadual de Defesa
Civil do Ceará (CEDEC) em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, pesquisas
feitas na região sobre o ocorrido relata que houve vários tipos de ocorrido,
pessoas com fraturas e machucados, casas rachadas, eletrodomésticos danificados
ou queimados, etc. É necessário entender que nesse período as estruturas e os
bens de consumo não apresentavam os níveis de segurança de hoje, por exemplo,
as casas, antes eram feitas apenas com barro e cal já hoje é quase que
obrigação de além de ter cimento possuir ferro em sua estrutura para evitar
rachaduras e danos maiores.
Casas destruídas em Chorozinho devido ao terremoto, em 1980 Foto: Artigo Terremoto de Pacajus: 30 anos depois/Francisco Brandão
Outros
eventos sísmicos chamaram atenção em Irauçuba em 2015 houve abalos que chegaram
há 3,3 e 3,8 graus de magnitude segundo o LabSis, e o de Sobral que ocorreu em
2009 e chegou a 4.3 graus de magnitude se espalhando em um raio de 200 quilômetros
chegando a cidades do litoral.
Em
todas as regiões o acompanhamento da defesa civil junto com técnicos da área de
sismologia é importante para prevenção e tratamento dos possíveis danos destes
abalos frequentemente ocorrido no Ceará.
REFERÊNCIAS:
AGENCIA BRASIL EBC. Tremor de terra atinge noroeste do Ceará. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-03/tremor-de-terra-atinge-noroeste-do-ceara>. Acesso em: 07 jun. 2018.
DIÁRIO DO NORDESTE. Há 36 anos a terra tremeu no Ceará e pode tremer novamente. Disponível em: <http://plus.diariodonordeste.com.br/terremoto-de-pacajus/>. Acesso em: 07 jun. 2018.
G1.CLOBO.COM. Cascavel, no Ceará, tem tremor de terra de magnitude 3,0. Disponível em: <https://g1.globo.com/ceara/noticia/cascavel-no-ceara-tem-tremor-de-terra-de-magnitude-30.ghtml>. Acesso em: 07 jun. 2018.
PREFEITURA MUNICIPAL DE CHOROZINHO. História. Disponível em: <http://chorozinho.ce.gov.br/sobre/historia/>. Acesso em: 07 jun. 2018.



Ola Dias!
ResponderExcluirSeu texto é muito rico, interessante sabermos que apesar de estarmos sobre o centro da placa tectônica sul-americana não estamos imunes a esses tremores.